



“Ó linda situação para se construir uma vila.” Foi com essa frase, em 1535, que Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco, expressou seu encanto ao encontrar este pedaço de terra no alto de colinas. Quase 500 anos depois, quem caminha por Olinda sente que o tempo desacelera — ou talvez nem tenha passado.
Com traçados irregulares, influência medieval e portuguesa, casarões com sacadas de pedra ou madeira e quintais generosos, o Sítio Histórico de Olinda preserva a atmosfera de seu passado glorioso. Em 1982, foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, título que celebra não apenas sua arquitetura, mas também sua importância cultural. Entre seus tesouros estão o Convento de São Francisco, primeiro estabelecimento franciscano do país; a Igreja do Carmo, templo mais antigo da Ordem das Carmelitas no Brasil; e o Mosteiro de São Bento, que por 24 anos abrigou a primeira Escola de Direito do Brasil.
Terceira maior cidade de Pernambuco, com pouco mais de 367 mil habitantes, Olinda é uma explosão de cultura popular, arte e gastronomia. Suas ruas abrigam a fusão de heranças europeias, indígenas e africanas, visíveis no frevo, maracatu, pastoril, na cerâmica, na talha em madeira e nas mãos habilidosas de artistas plásticos, músicos, poetas e artesãos que fazem da cidade um grande ateliê a céu aberto.
Carnaval o ano inteiro
O Carnaval de Olinda está entre os três mais famosos do Brasil e do mundo. São blocos, troças, maracatus e os icônicos bonecos gigantes de mais de 3 metros de altura que transformam as ladeiras em um palco coletivo de alegria. Quem visita fora de época pode conhecer essas figuras na Casa dos Bonecos Gigantes e se encantar com os mamulengos no Museu do Mamulengo, que reúne mais de 1.200 peças — algumas datadas do século XVIII.
Arte e história em cada esquina
Olinda também abriga o Museu de Arte Contemporânea (MAC), instalado no prédio que um dia foi a única prisão eclesiástica do Brasil, com obras de nomes como Cândido Portinari, Abelardo da Hora e Manabu Mabe. Já o Museu de Arte Sacra de Pernambuco (Maspe) apresenta um presépio nordestino que inclui figuras icônicas como Lampião e Zumbi dos Palmares.
No Mercado da Ribeira, antigo ponto de venda de escravos, hoje funcionam 15 lojas de artesanato e eventos culturais gratuitos. O Mercado Eufrásio Barbosa é outro ponto vibrante, com exposições, apresentações folclóricas, música e festas.
Sabores que ficam na memória
Olinda é também um destino para quem ama comer bem. Comece pelas tradicionais tapiocas de queijo coalho com coco no Alto da Sé, e depois aventure-se em pratos como a moqueca pernambucana do Restaurante Patuá, o jerimum recheado da Oficina do Sabor — que oferece uma vista espetacular — e a fusão franco-brasileira do Maison do Bomfim. O Beijupirá, acessado por bondinho, fecha a lista com sua culinária criativa e premiada.
Festivais e música para todos os gostos
Ao longo do ano, Olinda se transforma em palco para grandes eventos, como a Mostra Internacional de Música em Olinda (MIMO), que leva concertos gratuitos a igrejas históricas e oferece oficinas, cinema e debates. A cidade também recebe a Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), que reúne escritores, poetas, acadêmicos e leitores para dias de intensa programação cultural.
Com tanto para ver, sentir e provar, Olinda não é apenas um destino turístico: é uma experiência completa, onde história, arte e hospitalidade se encontram. Agora é só escolher a data e se deixar levar por essa cidade que continua tão linda quanto no dia em que foi descoberta.























